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Tecnologia mudará jeito de comprar

Novidades para o dia a dia já estão sendo testadas

Imagine estar passeando por um corredor, tentando decidir qual a marca de macarrão que irá levar para casa. Andando mais à frente, você entra na seção de molhos de tomate, vê nas prateleiras as opções à disposição e pega a que mais lhe agrada. Agora, basta escolher a forma de pagamento e pronto! Levante do sofá, tire os óculos de realidade virtual e espere a compra chegar, sem filas e sem precisar sair de casa.

Essa é uma das tecnologias já existentes, e que está sendo implementada na Itália, na rede de supermercados Esselunga. Além dela, nos próximos três anos outros 100 bilhões de dispositivos inteligentes vão estar conectados à internet e serão responsáveis por causar uma verdadeira revolução no jeito de cuidar da casa, fazer compras, se divertir, tratar da saúde, trabalhar e produzir.

Esse conjunto de inovações e soluções é chamado de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), e para além de trazer facilidades para a vida das pessoas, ela também promete ter grande influência na economia. A estimativa desse impacto é da ordem de US$ 11 trilhões até 2025 em todo o mundo. Já no Brasil, a movimentação econômica vinculada ao cenário de IoT é calculada em US$ 352 bilhões até o final de 2022.

O professor e pesquisador da FGV e especialista em IoT, Eduardo Magrani, explica que o potencial da internet das coisas é imenso em função do grande impacto que essa área exerce sobre a indústria e vida das pessoas.

“A indústria pode ficar muito mais eficiente, o poder público passar a poupar mais recursos, a produção agrícola ser aperfeiçoada, entre outros processos. A escala de ganho com a Internet das Coisas pode entrar em um patamar que a gente não está nem acostumado”, avalia Magrani ao comentar que, por enquanto, os custos de toda essa conectividade ainda são altos e que é preciso ganhar escala para ser mais acessível a todos.

Uma das empresas líderes nesse segmento, o Google já tem no radar soluções digitais voltadas para os grandes desafios das próximas décadas. Segundo o presidente da companhia no Brasil, Fábio Coelho, o foco é nas áreas de saúde, energia e alimentação.

“Não teremos tanto espaço no futuro para produzir alimentos; a energia que usamos é poluente, com o petróleo e o carvão; e ainda se sabe pouco sobre o corpo humano. É por aí que o Google quer investir”, afirma.

Para Gilberto Sudré, consultor de tecnologia e segurança da informação, não vai demorar muito tempo para que mais dispositivos que conversem entre si façam parte do dia a dia dos brasileiros.

“Acredito que dentro de dois anos essa realidade estará mais difundida por aqui. Nos Estados Unidos, ela já está bem presente. O que precisamos superar são os preços altos de importação, além da questão do câmbio e do período de adaptação da localidade, ou seja, a tradução do inglês para o português”.

Apesar dos muitos benefícios, a IoT traz riscos que têm que ser levados em consideração. “Há uma preocupação porque no Brasil não tem uma lei geral de proteção de dados pessoais e, com a IoT, a privacidade das pessoas pode ser ameaçada”, alerta Magrini.

O poder da internet das coisas

O que é?

A Internet das Coisas (do inglês Internet of Things - IoT) trata-se de uma revolução tecnológica que tem o objetivo de conectar itens usados no dia a dia à rede mundial de computadores. Ela permite que diferentes dispositivos conversem entre si e sejam capazes de ajudar as pessoas nas tomadas de decisões e a realizar tarefas.

Passeios com amigos

Por meio de óculos de realidade virtual, já é possível pedalar de dentro de casa e passear junto com amigos por cenários que reproduzem ambientes externos, tudo isso em tempo real, com as suas companhias de pedal estando conectadas remotamente de outros lugares.

Arquibancadas quase reais

Que tal assistir a jogos de futebol como se estivesse na arquibancada do estádio, com visualização em 360°, mas sentado em seu sofá? Cada usuário poderá escolher qual direção deseja olhar e acompanhar em tempo real os lances do jogo, mesmo que os atletas estejam a quilômetros de distância.

Prateleiras virtuais

Na Itália, a rede de supermercados Esselunga desenvolveu um aplicativo em que os clientes, usando um óculos de realidade virtual, podem passear pelos corredores e selecionar os produtos que desejam comprar em prateleiras digitais, tudo isso sendo feito de dentro de casa. Após fechar a compra, basta o cliente esperar para que a entrega das compras seja feita.

Robôs consultores de moda

Em lojas de roupas, os painéis estão dando lugar a monitores que identificam as peças escolhidas pelo cliente e mostram, baseado no item escolhido, outros produtos que combinam com aquele objeto e que são recomendados para o usuário, baseado em suas compras anteriores.

Diagnósticos precisos

Estão em fase de testes máquinas de diagnóstico que reconhecem nos exames os linfomas, coágulos e outras anomalias sem a necessidade de um médico para analisar os resultados. Além disso, a máquina é capaz de apontar o risco de doenças futuras baseado nas informações coletadas nos exames.

Álbuns de fotografia automáticos

Está em desenvolvimento uma tecnologia de inteligência artificial que reconhece os itens dentro das imagens fotografadas pelos usuários, com a identificação de pessoas e objetos. Quem permitir o acesso do mecanismo em seus dados, poderá buscar pelo item “cachorro” e ver todas as fotos com cachorros que tirou na vida, por exemplo. A ferramenta também permite que as pessoas tenham salvas automaticamente na nuvem todas suas fotos separadas desde o momento em que nasceram.

Tradutores em tempo real

Assim como os robôs tradutores apresentados ao mundo no encerramento das Paralimpíadas de 2016, o Google já trabalha com o reconhecimento mais sofisticado de voz, que possibilita a codificação de mensagens independente do sotaque, do tom e da idade da pessoa que está falando, tudo com tradução em tempo real.

Casa conectada

As famílias vão ter algumas facilidades no dia a dia doméstico. Eletrodomésticos ficarão cada vez mais inteligentes. A geladeira, por exemplo, ajudará a controlar a validade dos alimentos e dizer quando eles estão acabando e enviar a lista de compras direto para o supermercado. A máquina de lavar poderá ser acionada remotamente e antes mesmo de chegar em casa você ligará o ar-condicionado para deixar o ambiente fresquinho.

Indústria inteligente

Os processos produtivos na indústria serão muito mais eficientes e evitarão o desperdício de recursos. Os gestores terão acesso à performance do maquinário e serão avisados quando um equipamento estiver prestes a apresentar algum tipo de defeito.

Agricultura eficiente

Sistemas, dispositivos e drones vão reunir e combinar informações para serem utilizadas na produção agrícola. A partir de imagens aéreas, sensores no solo e no ar e chips em plantas ou animais, por exemplo, dados ajudarão a identificar pragas, temperaturas acima ou abaixo da necessária para o cultivo e tomar decisões para garantir a qualidade das operações.

“Em 2 anos o mundo muda totalmente”

Se você ainda não se acostumou com todas as ferramentas que o seu celular lhe oferece, prepare-se! Ainda há mais novidades a serem lançadas nos próximos anos.

Presidente no Brasil da marca mais valiosa do mundo, o capixaba Fábio Coelho, do Google, voltou a Vitória nesta sexta-feira (5) para falar para empresários das mudanças tecnológicas que vão revirar o mercado nos próximos anos.

Coelho revelou que já entramos em uma nova onda tecnológica e que estamos com um pé na era da inteligência artificial. Confira a entrevista exclusiva que o executivo concedeu ao jornal A GAZETA.

"A ideia é que os trabalhadores se capacitem mais e consigam desempenhar funções mais nobres, enquanto que as máquinas façam funções mais burocráticas"

Como todas essas mudanças tecnológicas podem impactar a vida das pessoas?

As pessoas já consomem essas inovações, inclusive tecnologias de inteligência artificial. Vivemos ondas de tecnologia. Primeiro, vieram os computadores, que revolucinaram a forma como trabalhamos. Depois, veio a internet e, há alguns anos, o acesso móvel à rede pelos celulares. Estamos entrando agora na onda da inteligência artificial, das máquinas capazes de aprender sozinhas, sem precisar de serem programadas. As empresas que não se atualizarem e prestarem atenção nessa tecnologia, vão deixar a onda passar e correr o risco de ficarem irrelevantes.

O que a inteligência artificial pode oferecer?

Ela ajuda a quem quer ter uma vida mais produtiva. As pessoas já consomem a inteligência artificial sem nem mesmo saber que estão consumindo. É o mecanismo da Netflix que recomenda um filme baseado no que você gosta de ver; um computador que lhe reconhece em fotos, que responde a perguntas feitas por voz, em temas interligados, como se estivesse dialogando com você e que, mesmo quando você erra, sabe o que você quis dizer. Tudo isso já existe, são ferramentas que muita gente já sabe usar.

Tem muita gente que tem medo dessa quantidade de informações pessoais na nuvem. Como o Google lida com isso?

Temos um código de privacidade muito forte. Os dados do usuário são sagrados, não podem ser vendidos ou compartilhados de forma individual. Precisamos disso para manter a confiança das pessoas. É uma questão de escolha, elas podem querer participar ou não. É normal que haja medo com as revoluções tecnológicas, mas nossa ideia é oferecer facilidades para a tomada de decisões.

Você disse que a inteligência artificial é uma onda que as empresas precisam prestar atenção. Por quê?

Tem uma frase do Andrew Grove (ex-executivo da Intel) que é assim: “só os paranoicos sobrevivem”. Temos que ser paranoicos em inovar. Quem não se atualizar, vai perder negócios e se tornar obsoleto. As mudanças ocorrem cada vez mais rápido, em dois anos o mundo muda totalmente. Temos que estar sempre dispostos a pensar no futuro no médio e no longo prazos. Tem gestor que para no tempo porque acha que tem a lealdade do cliente. A lealdade só existe até alguém inventar um serviço melhor. Quem deixa de inovar abre oportunidade para o surgimento de novas marcas.

Com o desenvolvimento dessas máquinas que conseguem fazer sozinhas alguns serviços, pode diminuir o número de empregos?

Sempre existe esse medo de a máquina substituir humanos, mas o desemprego não caminha, necessariamente, acompanhando a tecnologia. Este número alto de desempregados atualmente, por exemplo, é mais por uma questão de gestão econômica do que de mudança tecnológica. A ideia é que os trabalhadores se capacitem mais e consigam desempenhar funções mais nobres, enquanto que as máquinas façam funções mais burocráticas.