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Tecnologia é aposta para melhorar o trânsito do futuro

Fórum promovido pelo Detran-RJ e pelo GLOBO discute soluções para aprimorar a mobilidade urbana

Com a responsabilidade de organizar e preparar o trânsito e a população do Estado do Rio de Janeiro, o Detran-RJ realizou em parceria com o jornal O GLOBO o Fórum Trânsito do Futuro, que abordou inovações já presentes no nosso dia a dia e outras que ainda virão.

Afinal, quem no Brasil, há alguns anos, imaginava que seria ato corriqueiro digitar o endereço em um dispositivo na palma da mão e obter dele a melhor rota a seguir? Também poucos pensavam que chamaríamos táxis ou motoristas particulares por aplicativos. No mundo, então, quase ninguém imaginava ser possível existir carros dirigidos de forma autônoma. Para não falar nos veículos com visão 360º, sem volante, pedal de freio e acelerador, que a indústria está desenvolvendo.

Diante de um espectro tão variado de debates, estudiosos de diferentes correntes discutiram durante todo o dia na sede da Infoglobo, no Centro do Rio. Idealizador do fórum, o presidente do Detran-RJ, Vinicius Farah, informou que a visão de avanço tecnológico do departamento é prestar serviços de forma amigável e ágil à população, satisfazendo também o imediatismo que a nova sociedade impõe.

Diante de um espectro tão variado de debates, estudiosos de diferentes correntes discutiram durante todo o dia na sede da Infoglobo, no Centro do Rio. Idealizador do fórum, o presidente do Detran-RJ, Vinicius Farah, informou que a visão de avanço tecnológico do departamento é prestar serviços de forma amigável e ágil à população, satisfazendo também o imediatismo que a nova sociedade impõe.

— Um Detran moderno, transparente e próximo do cidadão, além de menos burocrático, viabilizado principalmente pelo uso das novas tecnologias e ações de planejamento. Esse é o perfil a ser atingido pelo órgão nos próximos meses, e assim estar preparado para as mudanças que estão transformando as cidades e o trânsito hoje e no futuro – informou Farah.

Para atingir essa meta, o órgão organizou três frentes de trabalho: Detran Presente, Detran Resolve e Detran Conduta. Juntos, os programas vão ao encontro do público, onde ele estiver (Detran Presente), simplificam o atendimento (Detran Resolve) e modernizam o serviço ao cliente, além de inibirem a possibilidade de corrupção no setor (Detran Conduta).

– O Detran tem a função de encurtar o caminho de seus serviços para a sociedade, prestando-os de forma ágil, moderna, cristalina e lícita. Estamos invertendo a ordem do serviço público, aproveitando a tecnologia para facilitar a vida do cidadão – afirmou o presidente do Detran.

CARRO SEM MOTORISTA

No primeiro painel, chamado “Era do carro sem motorista”, o Fórum Trânsito do Futuro abordou as mudanças que a tecnologia traz para o universo dos automóveis. Entre elas, os carros elétricos e os autônomos. Ricardo Bacellar, head de Setor Automotivo da consultoria KPMG, acredita que o processo de transformação será sem precedentes nessa indústria.

– A direção autônoma (sem motorista) é o símbolo desse processo de transformação. Hoje, a interação ocorre no momento em que estamos dentro do carro. Nos próximos anos, o veículo poderá desempenhar diversos outros papéis na nossa vida, mesmo quando estivermos fora dele – comentou o executivo.

O diretor de Comunicação Corporativa da Nissan do Brasil, Rogério Louro, por sua vez, lembrou que além das inovações tecnológicas dos veículos, é preciso preparar as cidades com infraestrutura que absorva uma forma totalmente nova de locomoção das pessoas nas vias.

– O carro elétrico já é realidade. Precisamos pensar à frente e absorver a demanda de suporte à inovação. O motorista terá a decisão de dirigir ou não o carro, assim como a possibilidade de, com o carro elétrico, numa cidade inteligente, abastecer a sua residência com a energia desse veículo – analisou.

O head de inovação do Instituto Smart City Business America, Cezar Taurion, afirmou ainda que é preciso repensar o conceito de cidade, para termos um trânsito mais inteligente mesmo antes que as inovações cheguem. E que o congestionamento de veículos é um problema global, necessitando de solução.

– Se a cidade é deficiente em termos das suas vias circulatórias, ela sofre um AVC e isso afeta diretamente a economia e a qualidade de vida das pessoas. A tecnologia pode e deve ser usada para resolver os problemas de trânsito – concluiu.

EFICIÊNCIA NO TRÁFEGO

O segundo painel do Fórum Trânsito do Futuro abordou a conexão que deve existir entre os atores do trânsito. Segundo os especialistas, é necessário que essa rede funcione, incluindo questões de educação, conscientização e fiscalização do trânsito e o compartilhamento pacífico do espaço entre os veículos.

Na avaliação do secretário estadual de Transportes do Rio, Rodrigo Vieira, para a rede funcionar é preciso que cada vez mais os modais de baixa capacidade (ônibus, táxis) se aproximem daqueles de alta capacidade (metrô, trens, barcas), permitindo o uso mais racional dos recursos.

O secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Antonio Teixeira Jr, por sua vez, chamou atenção para os riscos de acidentes no trânsito, que resultam em mortes e graves sequelas, no mundo todo. Teixeira Jr. avalia que atualmente, no trânsito brasileiro, as motos causam bastante preocupação, já que deixam pilotos e caronas mais expostos a ferimentos em caso de acidentes.

– Em todo o mundo, são três mil mortes diárias no trânsito. É como se nós tivéssemos dez aviões caindo diariamente. No Rio de Janeiro não é diferente, e o volume de acidentes com motos é realmente alarmante. No Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, por exemplo, 70% das vítimas que dão entrada na unidade se acidentaram em motos. Em 2015, eram 63,5%. Percebemos que os números estão subindo ano a ano persistentemente. Nos outros três principais hospitais da rede pública estadual, Getúlio Vargas, Carlos Chagas e Azevedo Lima, o patamar de acidentados em motos saltou de uma média de 45% em 2015 para quase 60% — analisou.

Teixeira Jr. e a voluntária da ONG Bike Anjo Ana Luiza Carboni, concordaram que a solução para diminuir esse problema é a redução da velocidade nas vias urbanas. Ela acredita que dessa forma as cidades poderão se tornar mais humanas e o compartilhamento do espaço, mais pacífico. A Bike Anjo atua em diversas cidades brasileiras, com ações que vão desde ensinar pessoas a pedalar até instruções de como um ciclista deve se comportar com segurança em vias públicas.

Para o tenente-coronel Marco Andrade, coordenador da Operação Lei Seca, educação e fiscalização devem caminhar juntas para garantir um trânsito mais seguro. De acordo com ele, pilares como esses levaram aos reconhecidos resultados positivos da Lei Seca no Rio. Ao longo de oito anos, o programa viu o número de condutores flagrados embriagados cair 43% e a taxa de mortes ser reduzida em 28%, de 2009 a 2015, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). Até o último dia 6, a ação totalizou a abordagem de 2,6 milhões de motoristas, sendo que 176,9 mil deles tiveram suas CNHs recolhidas por conta da presença de álcool no organismo.

– Estamos garantindo que milhares de pessoas cheguem vivas em casa. Temos que preservar vidas. Ainda queremos aprimorar conceitos de fiscalização. É um trabalho que exige ações diárias, que levam a mensagem sobre o perigo de se misturar álcool com direção. Fazemos ações com cadeirantes vítimas de acidentes e palestras em escolas. É um investimento nas próximas gerações.

Marco Andrade também destacou que a iniciativa liderada pelo Detran-RJ é resultado do trabalho integrado de três secretarias estaduais (Governo, Segurança e Casa Civil). O tenente-coronel explicou que, nas blitzes, o trabalho é feito por uma equipe multidisciplinar e com incorporação de tecnologia. Câmeras gravam as abordagens e as imagens são repassadas em tempo real à sede para monitoramento.

TRANSPORTE NA PALMA DA MÃO

Não há mais como falar em trânsito sem incluir os aplicativos de transporte urbano como Uber e Cabify. Até mesmo os táxis já aderiram aos serviços via smartphone para concorrer. Para falar sobre o polêmico assunto “Os impactos do mobile no trânsito” estiveram no palco Ana Gerrini, gerente de Políticas Públicas e Pesquisa do aplicativo 99, e Luisa Aguiar, head de vendas da Cabify Brasil. Ana enfatizou que a empresa não se vê como uma competidora do transporte público, mas como integrante do sistema:

– Temos o objetivo de entregar um serviço rápido, barato e seguro. Nossa principal missão é fazer com que as pessoas não precisem ter seu próprio carro e que cada veículo seja melhor aproveitado. E não fique apenas como um bem estacionado ou parado na garagem. Entendemos que o nosso transporte é uma solução de serviço totalmente integrado ao de massa.

Usando o exemplo de uma pessoa que faz um percurso diário de 28 quilômetros de carro, Ana garantiu que há economia de R$ 3 mil no ano, caso o mesmo trajeto seja feito com transporte público de massa, integrado ao táxi ou bicicleta. Estimular as pessoas a usarem os novos modelos de negócio para transporte por meio de aplicativos como o Cabify ainda é um desafio, informou Luisa:

– É preciso incentivar que o carro próprio, que fica 90% do tempo parado, seja retirado da rua. Deste modo, além de falarmos em melhoria de trânsito, falamos da diminuição de emissão de carbono e de sustentabilidade ambiental.

A executiva destacou ainda outras formas de mobilidade urbana para cidades grandes:

Em São Paulo, lançamos o Cabify Express, um serviço de motofrete para o envio de mercadorias, e o Cabify Fly, em parceria com a Voom (empresa do segmento de táxi-aéreo).