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Como a tecnologia pode impactar a educação

O ensino está mudando, pois os conhecimentos que o mercado exige são novos. E o SESI e o SENAI já atuam na formação dos profissionais do futuro

O conhecimento é o maior insumo do século 21. É ele que vai determinar o sucesso de um profissional, uma empresa, um setor da economia ou mesmo de um país inteiro. E o maior centro de distribuição de conhecimento continua nas escolas – ainda que elas estejam em transformação e não se pareçam mais com as antigas salas de aula previsíveis do século passado.

Quando o assunto é tecnologia aplicada à educação, o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) são pioneiros na formação dos profissionais do futuro. As duas entidades colocam os jovens em contato com a tecnologia desde cedo e contribuem com a formação de adultos mais conectados à inovação. Também oferecem atualização para quem já está no mercado e precisa adquirir novas competências.

O SENAI aposta em conteúdos voltados para a indústria 4.0. Entre as iniciativas estão o curso Inspirar, Transformar e Aprender – a Educação para a Indústria Avançada, desenvolvido pelo SENAI Nacional em parceria com a unidade de Santa Catarina e voltado para o corpo docente da rede. Além disso, a instituição vai oferecer quatro cursos que terão foco na exploração do big data e da internet das coisas.

“A educação profissional precisa seguir as inovações tecnológicas e o mapa do emprego industrial. Para isso, acompanhamos as mudanças da indústria, como inteligência artificial, big data, nanotecnologia, indústria aditiva e realidade aumentada”, afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI e diretor de educação e tecnologia da CNI.

“Já temos os primeiros cursos para formar técnicos da ciência de dados.” Já o SESI mantém aulas de robótica no currículo de 400 de suas escolas de ensino médio e fundamental. Há cinco anos, organiza um Torneio de Robótica para estudantes de 9 a 16 anos, de escolas públicas e particulares, desafiados a criar soluções inovadoras e construir robôs com peças de Lego.

“Desde 2009 a robótica é uma pedra angular do nosso sistema educacional”, explica Marcos Tadeu, diretor de operações do SESI. “Geramos competências importantes para a vida pessoal e profissional desses jovens, como comunicação, liderança, ética e trabalho em equipe.” O último torneio contou com 7 000 alunos – 780 equipes de 24 estados. Entre os vencedores, 29 foram classificados em competições internacionais e 20 foram premiados. É a prova de que o trabalho é reconhecido até no exterior.

Ferramentas de ensino

Dois recursos tecnológicos que o SESI e o SENAI usam para educar e formar

Robótica

João Victor Quintanilha tem 18 anos e já sabe a importância da robótica. “Somos desafiados a desenvolver conhecimentos da área de exatas, mas aprendemos a pensar no empreendedorismo e no impacto social e ambiental do que desenvolvemos”, diz. Nascido em Goiânia, João teve contato com a robótica no ensino fundamental do SESI Vila Canaã.

No ensino médio, fez parte de um time que participou de três competições para desenvolver robôs. A equipe criou produtos inovadores: uma plataforma que gera objetos em 3D para facilitar o aprendizado de deficientes visuais, um travesseiro ergonômico desenvolvido com plástico reciclado e uma semente triturada que, dispersa na água com a ajuda de pedalinhos, evita a proliferação de algas em lagos.

“A robótica ajuda a desenvolver habilidades tanto cognitivas quanto práticas”, explica o professor de robótica Carlos Amorim. João até já foi aos Estados Unidos apresentar o terceiro projeto em uma feira de ciências mundial da Nasa, agência espacial norte-americana.

Realidade aumentada

Basta passar o celular sobre o livro didático para o desenho de uma turbina ganhar vida. Desenvolvido pelo SENAI Tubarão, de Santa Catarina, o aplicativo de realidade aumentada transforma o smartphone, tradicionalmente visto como uma fonte de distração na sala de aula, em uma poderosa ferramenta de ensino.

Além de enriquecer os conteúdos, o app permite aos estudantes acessar simuladores e vídeos em que objetos ganham movimento, imagem, som e interação. Desde 2014, foram lançados cinco aplicativos educacionais de realidade aumentada, que já foram baixados 13 668 vezes. O recurso é utilizado nos cursos técnicos de automação industrial, redes de computadores, eletroeletrônica e segurança do trabalho.

Os apps usam a mesma tecnologia do jogo Pokémon Go, mas oferecem aprendizados relevantes para a construção de competências profissionais. “Na indústria, usa-se a realidade aumentada para operar ou fazer manutenção de máquinas com a ajuda de um assistente virtual que dialoga, tira dúvidas”, explica Rafael Lucchesi